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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

X-Men Legado: Encontros e Despedidas


Abandonada em um  mundo alienígena por Magia durante a guerra dos Vingadores contra os X-Men, Vampira se vê no confronto final entre os nativos do lugar: os Vray, de forma humanóide e rosto animalesco e a raça do Enxame, de aparência insectóide. Ela descobre que os dirigentes de ambas as raças confabularam entre si para promoverem uma carnificina deliberadamente para que os sobreviventes possam aproveitar os parcos recursos naturais deste planeta, que sofreu um grande cataclisma.Vampira, então, parte com o firme propósito de evitar isso a qualquer preço. Seu único aliado no momento é o ex-comandante Tritt, do Enxame, destituído do cargo pela sua rainha e alijado da mente coletiva de seu povo ao descobrir toda a verdade sobre a batalha prestes a ocorrer. Além disso, Vampira precisa retornar imediatamente à Terra pois ela tem a sua própria guerra para travar e resolver uma pendência pessoal que já se arrasta há muito tempo. Como tal irá ocorrer é o que nos contará o escritor Christos Gage e os desenhistas Rafa Sandoval e David Baldeon nas edições de X-Men Legacy #273 e #274, publicadas aqui em X-Men Extra #143 pela Panini.

Quando Vampira e Tritt finalmente chegam ao campo de batalha, ambos percebem que é tarde demais e a heroína resolve se interpor no conflito assim mesmo, roubando uma gigantesca montaria aracnídea do Enxame e arrastando o seu aliado insectóide consigo. Eles conseguem alcançar a rainha do Enxame e Vampira tenta trazer todos à razão. O resultado é inútil e ela está prestes a sucumbir na batalha. Desesperada, ela pede a Tritt que force o seu retorno à mente coletiva de sua raça para que todos conheçam a verdade. Relutantemente, ele faz isso é bem sucedido no seu intento: a rainha é desmascarada e é expulsa da mente coletiva pelos seus ex-súditos. Resta, ainda, convencer os Vray do mesmo e o rei deles não perde tempo em aproveitar o momento de hesitação do Enxame para insuflar os seus soldados a continuarem atacando.

Vampira consegue falar com o Comandante Chahr, que se tornou seu amigo logo após chegar a este mundo e pede que ele confie nela e participe de maneira voluntária da mente coletiva para que ele também tome ciência da verdade. Assim é feito e ele é convencido de maneira definitiva. Ele ordena que seus irmãos cessem o ataque. O rei dos Vray parte furioso brandindo sua espada em direção a Vampira, culpando-a pela resolução dos acontecimentos totalmente contrária a seus planos. Ela consegue se defender e , utilizando-se das lições de esgrima que aprendeu com Kurt Wagner, o Noturno, consegue derrotar o seu oponente.

Vampira poupa a vida dele mas Chahr pensa bem diferente e executa o seu ex-soberano por traição. A batalha foi interrompida mas falta convencer os dois lados a se entenderem. Vampira pede que Tritt e Chahr unam suas mentes com a mediação dela e outra verdade é descoberta: que a raça dos Vray e do Enxame antigamente partilhavam uma existência próspera e colaborativa, em que a magia e capacidade de viajar entre dimensões do primeiro era complementada pela criatividade do segundo. A similaridade das histórias que foram contadas anteriormente a Vampira era muito mais do que mera coincidência, afinal: "essa é a escolha certa pro futuro. Cooperem e sobrevivam lado a lado... ou afastem-se e morram separados", ela diz, praticamente decretando o final das hostilidades.

Resta ainda para Vampira encontrar uma maneira de voltar a seu mundo natal. Com a ajuda de Tritt e Chahr, os novos líderes do planeta, um artefato místico dos Vray é combinado com a capacidade de navegação da mente coletiva do Enxame e um portal para a Terra é aberto. Ela se despede de ambos e se vai.

Quando a encontramos novamente, ela está em Washington tentando minorar os danos decorrentes do conflito decisivo envolvendo os Vingadores e os X-Men, que finalmente se uniram contra um inimigo em comum, Ciclope, enlouquecido ao absorver toda a Força Fênix anteriormente dividida entre outros partidários da sua causa.

Ela tenta acalmar a população ao mesmo tempo que pede para auxiliar as vítimas de um desabamento numa estação de metrô. A situação fica ainda mais tensa e um policial saca uma arma em sua direção e, antes que ele atire, surge Magneto, o mestre do magnetismo.


Ele oferece auxílio, mas assume abertamente que o principal objetivo é vê-la. Ela aceita de maneira relutante mas, de maneira surpreendente, ele oferece também uma proposta de casamento: "eu quero nós dois juntos. Venha comigo, Vampira. Para onde quer que a gente vá depois daqui... que seja juntos". Ela fica totalmente desconcertada e tenta ganhar tempo se concentrando na missão de resgate. Um vagão soterrado por escombros se apresenta à frente e eles entram em seu interior com cuidado. Alguns sobreviventes são encontrados e colocados a salvo mais ainda resta um, mortalmente ferido, que se chama Richard. Moribundo, ele resolve contar a sua história para o casal: ele trabalhava como redator de discursos em Washington mas nunca se sentiu perfeitamente à vontade com o que escrevia ou com suas escolhas de vida, pois sentia que eram imposições de outras pessoas e, além disso, uma das poucas coisas com que se importava era o seu relacionamento com Dale mas, mesmo assim, era algo conduzido de maneira dissimulada há mais de dez anos, pois temia a exposição. Dale se cansou da situação e terminou com tudo. Richard, então, se dirigia para a casa de Dale para conversar quando o desabamento ocorreu. Richard pede que os heróis o abandonem mas eles se recusam a fazê-lo. Vampira tenta estancar o ferimento mas o teto do trem ameaça desabar em cima deles. Magneto remove o ferido de maneira brusca e  todos saem rapidamente para fora. Assim que conseguem escapar, Richard recebe atendimento médico mas sua condição era muito crítica e morre. Vampira e Magneto resolvem, então, finalmente conversar.

Vampira diz que é muito grata por tudo que Magnus fez mas, influenciada pela história de Richard, não quer mais que ninguém tome decisões por ela como aconteceu anteriormente com Mística e Sina, suas mães de criação e depois com Charles Xavier e Ciclope. Ela reconhece que a personalidade de Magneto é muito forte e teme que isso a faça permitir que ele decida tudo por ela, o que ela não quer. "Acho que já entendi o que quero, mas só vou ter certeza se passar um tempo sozinha". Eles se despedem de maneira dolorida e cada um segue o seu caminho. Em seguida, com posse das memórias de Richard, Vampira consegue chegar à casa de Dale e transmite as últimas palavras de seu companheiro para ele.



As duas edicoes de Legacy abordadas nessa resenha fazem parte da reta final da fase escrita pelo Christos Gage e também da própria revista, que foi descontinuada para ser relançada  pela "Marvel Now" nos Estados Unidos. Na primeira temos o final de um "tie in" de Vingadores vs. X-Men que já estava mais do que na hora de ser encerrado pela Panini. Achei bem sacada a ideia de que a prosperidade anterior do mundo dividido pelos Vray e o Enxame se devia à antiga colaboração entre as raças, que se perdeu devido ao cataclisma que atingiu esse planeta. Infelizmente, acho que o escritor forçou a barra ao atribuir à Vampira uma insuspeitada habilidade de empunhar uma espada e derrotar um soberano de todo um povo com enorme facilidade. Se ela "roubasse" essa habilidade de alguem faria mais sentido. 

A segunda historia, um "aftermatch" de "V vs. X", traz o encerramento de um plot que permeou toda essa fase, a definição do atual "status de relacionamento" entre Vampira e Magneto. Como não poderia ser diferente, a conversa se deu em meio a uma trágica circunstancia. Convenhamos que o Gage não é nenhum Bendis para segurar uma historia apenas na base do diálogo, mas achei interessante o desenvolvimento da historia, em que Vampira se espelhou na história de vida de um personagem secundario que teve um trágico destino antes que tivesse coragem de conduzir sua vida nos seus próprios termos. Apesar disso, confesso que não fiquei surpreso com o resultado da conversa entre ela e Magneto  

Os desenhos e narrativas de Rafa Sandoval e David Baldeon estavam corretos como sempre mas achei os do segundo bem melhores que os do primeiro. 

Acho que a Panini atrasou demais a cronologia das histórias que compõe o mix de X-Men Extra e Legado não foi exceção. Repito o que já disse em outras resenhas: é muito chato ler o "tie in" de um evento que se encerrou há três meses atrás. Não apareceu nenhuma nota de rodapé pra situar cronologicamente a história, que ainda apresenta o Magneto em seu visual pré "Nova Marvel".  De qualquer forma, a próxima edição de X-Men Extra irá trazer a edição 275 de Legacy, que marcou o encerramento deste título lá fora.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

X-Men Legado: Vampira, Presa e Torturada


Durante a guerra contra os Vingadores, Vampira tentou resgatar sua amiga Carol Danvers da prisão demoníaca que Magia, energizada pelo poder cósmico da Fênix, construiu no interior de um vulcão. Ela fracassou em seu intento e foi atirada por Magia em uma dimensão alienígena e se viu no meio de dois exércitos em guerra. Mas neste conflito nada é o que parece, como irá nos contar o escritor Christos Gage e o desenhista Rafa Sandoval nas edições de X-Men Legacy #271 e #272 publicadas nos EUA, reunidas aqui em X-Men Extra #142 (Panini).

Durante a batalha, uma das facções resolve atacar a mutante. Ainda utilizando os poderes de Carol, ela revida à altura e atrai a simpatia da outra, a raça dos Vray, de aparência humanoide e rosto animalesco. Ela consegue assimilar a linguagem deles através de contato físico e se torna amiga de um de seus líderes, o Comandante Chahr, que a leva para um acampamento. Ele conta que seu povo luta pela liberdade numa guerra ancestral contra a raça do Enxame, de aparência insectoide, que quer submeter cada um à sua mente coletiva, além de privá-los dos recursos naturais do planeta, que era próspero antes de um grande cataclismo se abater sobre ele. Vampira conta a sua história e Chahr se propõe a ajudá-la a voltar para casa se ela se aliar aos Vray. Ela aceita mas o soberano deles é muito reticente em utilizar uma estrangeira que mal conhece em um momento crucial da guerra. A própria Vampira também tem suas dúvidas, uma delas é de quanto tempo vai durar os poderes que absorveu de Carol, sem os quais ela será uma presa fácil. Ela acaba descobrindo isso da pior forma possível, ao ser sequestrada por membros do Enxame, liderados pelo Comandante Tritt, que invadiram o acampamento para trazê-la à presença de sua rainha.


Sem poderes e sem alternativa, Vampira é trazida à presença da rainha do Enxame, que tenta subjugá-la à consciência coletiva de seu povo na companhia de Tritt. Ela conta a sua versão do conflito, muito similar à dos Vray, mas colocando o seu povo como vítima. Vampira resiste à influência da rainha e acaba descobrindo um terrível segredo dela que, temendo ser exposta, ordena que a mutante e Tritt sejam mortos. Eles conseguem fugir e Tritt fica absolutamente desnorteado, sem saber a causa de sua expulsão do Enxame. Vampira revela ao ex-comandante que a rainha e o soberano dos Vray se reuniram secretamente para tramarem uma batalha que cause o maior número de baixas possível em ambos os lados para que haja mais recursos naturais disponíveis para os sobreviventes. Após essa carnificina, a guerra continuaria "normalmente", digamos assim. Para impedir que esse plano se concretize, Vampira e Tritt partem imediatamente em direção ao campo de batalha mas talvez já seja tarde demais.


As duas edições que englobam essa resenha são continuação do arco "Allegiances" que, sinceramente, está arrastado demais para o meu gosto, mas o escritor Christos Gage precisou construir uma trama que ocupe a principal personagem do seu título sem atrapalhar o principal evento do ano, "Vingadores versus X-Men", que durou sete meses nos EUA. Já que nele Vampira não teve uma participação marcante, pareceu-me apropriado colocá-la numa "dimensão alternativa". Achei interessante a ausência de maniqueísmo para retratar os motivos das duas facções beligerantes e o "plot twist" de seus regentes de combinarem uma carnificina entre si, mas me desagrada muito um título chamado "X-Men Legado" ter um arco enorme de histórias centrado em uma personagem só. Nem em "Wolverine e os X-Men" Logan tem tanto protagonismo assim.

O desenhista Rafa Sandoval está correto nos desenhos e na narrativa como sempre mas não acho as cenas de ação dele tão dinâmicas como a do desenhista que reveza no titulo com ele, David Baldeon. Acho também que ele poderia ter inovado mais na criação dos cenários desta dimensão alienígena.

Quanto à Panini, eu preferiria que esse arco já se concluísse nesta edição de X-Men Extra já que "V vs. X" terminou agora no Brasil e esse "tie in" ainda não. Na verdade, gostaria que nela já tivesse saído também a última parte dele e deixado para o mês que vem o "aftermatch" com Magneto e o encerramento de Legacy. Além disso, volto a insistir, novamente a editora não situou esse arco em relação aos demais capítulos de "V vs X" e nem organizou um guia de leitura mas felizmente o Coveiro, editor do Marvel 616, organizou este guia que pode ser encontrado aqui.

Carlos André
Colaborador do Marvel 616

sábado, 12 de outubro de 2013

X-Men Legado: Fidelidades


A guerra contra os Vingadores aparentemente foi vencida pelos X-Men, muito graças ao fato da Força Fênix ter se diluído entre cinco de seus integrantes: Ciclope, Emma Frost, Namor, Colossus e Magia e esta, com o apoio de Vampira e  Bobby Drake, o Homem de Gelo, dedicam-se no momento a promover melhorias ao redor do mundo. Pode parecer que o Planeta Terra irá se tornar um paraíso mas, como irá nos contar o escritor Christos Gage e o desenhista David Baldeon no novo arco "Allegiances", iniciado em X-Men Legacy #269 e #270, publicadas aqui em X-Men Extra #141 pela Panini, esse ideal de paz é muito mais frágil do que se supõe.

Em Nova Orleans, Vampira se separa dos demais e é induzida a efetuar uma suposta missão de resgate de um helicóptero. Chegando lá, ela não encontra ninguém menos do que Carol Danvers, a vingadora conhecida como Miss Marvel, que divide com ela um passado doloroso. Antigamente, uma roubou os poderes e a mente da outra e essa situação perdurou durante anos. Pensando tratar-se de uma armadilha, Vampira não titubeia em partir imediatamente para a ofensiva usando os poderes do Homem de Gelo.


Mas tudo não passa de um equívoco: a intenção de Carol é apenas convencê-la de que o Quinteto Fênix é perigoso demais e que suas individualidades humanas logo sucumbirão ao fardo de um poder incontrolável. Vampira não é convencida de imediato e vence o combate. Mesmo aprisionada, Carol pede que ela fique de olho no quinteto e prometa tomar uma atitude se necessário.

Magia é chamada e logo se apresenta para conduzir a vingadora para a prisão que construiu no interior de um vulcão russo: uma porção do Limbo, a dimensão demoníaca em que ela é soberana, trazida para a Terra. Vampira, horrorizada, assiste Carol ser arremessada no interior da prisão e começa a se questionar se está do lado certo nessa guerra contra os Vingadores e resolve tomar uma atitude ao ver a vingadora ser torturada numa cela por demônios travestidos de seus piores inimigos, dentre eles a própria Vampira. 


Para chegar à cela de Carol, Vampira assume a forma de um dos demônios da prisão e propõe a ela o seguinte estratagema: absorver os poderes da vingadora pra sair da cela e atrair a atenção de Magia para roubar o seu poder mutante de teleporte e fugir para buscar ajuda. Assim é feito, mas o estratagema falha pois não há mais nenhum vestígio de poder mutante nela, apenas a energia sapiente da Fênix, que não admite ser controlada por ninguém. Na verdade, tudo não passou de um teste de Magia para saber se Vampira era confiável ao trazê-la para conhecer a prisão: "Por que acha que te deixei aqui? Era um teste... e você não passou".

Carol é arremessada para as profundezas da prisão e é imediatamente atacada pelos odiosos ocupantes de lá. Vampira, furiosa, diz a Magia que a decepção que teve seria a mesma de qualquer X-Man que conhecesse este lugar, por mais radical que fosse. Magia, então, decide não punir Vampira da mesma forma por considerá-la "uma maravilhosa colaboradora" e que no momento se encontra apenas "confusa". Ato contínuo, Vampira é arremessada para a Terra de uma outra dimensão e se vê no meio de dois exércitos prestes a guerrearem entre si e com a ingrata missão de resolver o conflito.

Em mais este "tie in" de Vingadores versus X-Men, Christos Gage parece comprometido a promover a redenção pessoal de Vampira ao fazê-la deparar com situações dolorosas de seu passado, como no arco anterior com os Vingadores, que funcionou de maneira razoável e neste com Carol Danvers que, até o momento, só me impressionou no momento em que ela tentou novamente absorver os poderes de Carol à força durante a briga. Gostei também do momento em que Carol permitiu que seus poderes fossem absorvidos na tentativa de fugir da prisão. Porém, o desenvolvimento da trama me pareceu arrastado, certamente por não poder avançar além dos limites impostos pelo grande evento do ano.

No geral, eu gosto dos desenhos do David Baldeon e das suas cenas de ação, que apresentam um bom dinamismo e acho que devemos acompanhar atentamente a sua evolução dentro da Marvel.

A Panini, mais uma vez, não situou os acontecimentos dessa história com os demais capítulos de "V vs. X", que já está praticamente concluída aqui no Brasil, faltando apenas o epílogo e é sempre algo meio anti-climático ler "tie ins" que saem após o encerramento de um evento e este de Legacy ainda irá continuar no mês que vem. Aliás, uma falha gritante da Panini que esqueci de mencionar é a ausência de um "guia de leitura" que possibilitasse a leitura das revistas mensais sem encontrar "spoilers" dos acontecimentos mostrados na maxissérie do evento. Graças ao Coveiro, editor do Marvel 616, temos um guia de leitura que pode ser acessado aqui.

Carlos André
Colaborador do Marvel 616

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

X-Men Legado: Prova Final


Os Vingadores e os X-Men estão em guerra por causa da Força Fênix, que chegou à Terra e sua hospedeira em potencial, Esperança Summers, não se mostrou à altura da tarefa. Este imenso poder, então, se diluiu em Ciclope, Emma Frost, Namor, Colossus e Magia e o conflito se acirrou.

Enquanto isso, na Academia Jean Grey para Estudos Avançados, os X-Men que não queriam se envolver nessa guerra foram confinados por um destacamento dos Vingadores, formado por Mulher-Hulk, Falcão e Cavaleiro da Lua, mas a situação logo se torna insustentável e uma batalha se inicia. Desesperado, o Falcão chama reforços e imediatamente o Homem de Ferro se apresenta para o combate. Como mais esse conflito irá se definir é o que nos contará o roteirista Christos Gage e os desenhistas Rafa Sandoval, na edição #267 e David Baldeon, na edição #268 de X-Men Legacy, aqui publicadas em X-Men Extra #140 pela Panini.

Vampira, uma das líderes da instituição,  se empenhou anteriormente em resolver a situação da forma mais amigável possível, mas ao ver os seus alunos sendo atacados pelos Vingadores, ela muda de idéia e entra na briga junto com os outros X-Men de Westchester.

Apesar dos X-Men serem mais numerosos, o poderio do Homem de Ferro sozinho é capaz de nocautear a todos. Vampira recorre ao antigo estratagema de roubar o poder de seus inimigos até desacordá-los e utilizá-lo em proveito próprio. Ela derruba o Falcão e rouba os poderes da Mulher-Hulk, que cai inconsciente, mas quando o Cavaleiro da Lua entra em contato físico com ela propositalmente, Vampira começa a sucumbir sob o peso das múltiplas personalidades do controverso herói. Como conseqüência, a fúria da Mulher-Hulk se manifesta de maneira incontrolável em seu interior.

Kitty Pryde pede que Joanna Cargill, a Frenesi, utilize sua superforça para realizar um “arremesso especial” nela em direção ao Homem de Ferro para que sua intangibilidade cause uma pane elétrica geral na armadura. Assim é feito, mas o vingador estava preparado para tal contingência e o resultado é ineficaz. Apesar disso, Kitty consegue perceber que não havia ninguém dentro dela, ou seja, trata-se de um traje operado remotamente. Quando Vampira toma ciência disso, ela consegue utilizar a força e a fúria da Mulher-Hulk para destroçá-lo completamente.

 

Mais tarde, os Vingadores são despachados inconscientes de volta para casa. Vampira resolve tomar uma posição e conclama os outros X-Men de Westchester a se envolverem diretamente na guerra contra os Vingadores.

Logo em seguida, começa a história “Loose Ends”, mais um “tie-in” de “Vingadores vs. X-Men”, que conta a origem de Frenesi. Ciclope, ainda imbuído da Força Fênix, está na África, mais precisamente no Quênia, desarmando sozinho todos os rebeldes, milícias e soldados do governo local, pondo fim a uma guerra que já durava 25 anos. A mando dele, as gêmeas telepáticas Stepford orientam Frenesi em uma missão de rescaldo, digamos assim. O objetivo é não deixar que o vácuo de poder causado por Scott seja ocupado indevidamente por outros indivíduos armados até que as gêmeas possam “reescrever memórias em massa, substituindo a índole agressiva por pensamentos pacíficos”. Enquanto isso, ela deve evitar que as pessoas armadas se matem ou que matem inocentes. Frenesi, ainda que contrariada com a verdadeira natureza de sua missão, resolve seguir adiante.

Ela não demora a travar contato com um miliciano, que começa a espancar uma jovem que tomou como “esposa” que se recusou a obedecê-lo. Joanna intervém e o atira para longe de maneira contundente e salva a garota. Ela começa a se lembrar de sua infância, quando o pai a espancava e a assediava moralmente de maneira bastante semelhante à cena que acabou de presenciar. Ela parte em direção ao acampamento dos milicianos para desbaratar a quadrilha de vez e a garota, Angelique, resolve acompanhá-la como guia.

Durante a caminhada, Joanna se lembra de como na infância gostava de usar as coisas de seu irmão, que servia no exército, e de como era espancada pelo pai quando era flagrada fazendo isso. Ela também se lembra do dia em que ela e seus pais receberam o aviso do falecimento de seu irmão em combate e da violenta reação de seu pai que, bêbado, começou a espancá-la novamente ao vê-la utilizando uma boina que era de seu irmão. A violência do ato causou a manifestação de seus poderes mutantes pela primeira vez, fazendo com que ela revidasse com um soco mortal desferido no pai. Horrorizada com o ocorrido, ela fugiu.

Logo em frente é encontrado o corpo do “marido” da jovem. Joanna ordena que Angelique fique onde está e alcança o acampamento dos milicianos, que são rapidamente derrotados por ela.

Duas horas depois, as gêmeas Stepford se reúnem a Joanna e às demais pessoas libertadas da milícia. As telepatas querem suprimir todas as memórias ruins que essas pessoas tiveram, mas Joanna pede que isso não seja feito para que elas possam tirar proveito do ocorrido e não serem alvo novamente do primeiro rebelde ou miliciano que aparecer. Por ela, os cérebros dos sociopatas que gostam de matar poderiam ser perfeitamente desligados, mas as vítimas devem ter o direito de tomar suas próprias decisões, independente do fato de Ciclope ou Emma Frost pensarem o contrário. “Eu assumo a responsabilidade”, diz.

Por último, Angelique se dirige a ela e pergunta se as coisas iriam melhorar a partir de agora. “Isso é com você”, ela responde laconicamente.



Christos Gage tentou tirar partido de escrever histórias que remetem ao grande evento do ano sem perder a chance de explorar mais alguns aspectos de personagens que têm se destacado em sua fase em “Legacy” como Vampira e Frenesi, sendo esta uma agradável surpresa e que ganhou até uma história de origem. Apesar disso, no caso de Vampira, achei uma tremenda “bola fora” do escritor a personagem ter quase sucumbido às três personalidades do Cavaleiro da Lua já que ela já absorveu anteriormente a psique de 8 bilhões de alienígenas ao derrotar a arma Shi`ar de destruição em massa chamada Hecatombe para salvar Providência, a antiga ilha flutuante de Cable. Também achei muito clichê a história de origem de Frenesi, em que mais um personagem mutante tem seus poderes ativados devido a algum acontecimento traumático, geralmente envolvendo a morte de algum familiar ou pessoa muito próxima.

Rafa Sandoval e David Baldeon apresentam o seu trabalho com correção mas, pessoalmente, gostaria que o primeiro tivesse mostrado Vampira destroçando a armadura do Homem de Ferro tendo como referência a cena da Mulher-Hulk despedaçando o andróide Visão em “Vingadores: A Queda”, desenhada por David Finch. Acho que assim teria mais impacto.

 Quanto à Panini, a única coisa que tenho a dizer é que ela poderia ter apresentado uma nota de rodapé que situasse os acontecimentos dessas histórias com os capítulos de “V vs. X”, como tem feito em outras.

Carlos André
Colaborador do Marvel 616

sábado, 30 de março de 2013

Vingadores vs X-Men: Prenúncios da Guerra

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A saga que abalou completamente os alicerces das duas maiores franquias da Marvel finalmente começou no Brasil. De um lado, os mais poderosos heróis da Terra, sucesso completo dos cinemas. Do outro, temos os temidos mutantes, amados por seus fiéis leitores desde os anos 80. Com a edição 0 de Vingadores e X-Men chegando em bancas, finalmente podemos ter um desenho daquele que vai ser o maior confronto de heróis da Terra.

Com 132 páginas, a edição 0 de Vingadores vs X-men traz na verdade uma compêndio de histórias interligadas a saga. Sendo que a primeira, maior e mais importante delas, é a X-Saction, minissérie lançada em quatro partes lá fora e que traz de volta um personagem altamente vinculado a história da Esperança. Seu nome é Nathan Dayspring Askanison Summers, mas você deve conhecê-lo pela alcunha de Cable.

Sumido desde os eventos finais de Segundo Advento, Cable foi dado como morto, apenas restando seu braço contaminado pelo tecnovírus nesta nossa linha temporal. Todavia, como já era previsto, é difícil matar esse Soldado do Futuro e Cable acabou indo parar anos a frente, numa Terra destruída pelo que parecia um grande inverno nuclear. Ao prosseguir em busca de respostas, ele se depara com Blaquesmith, antigo parceiro de suas histórias, também membro do clã Askani. Há poucas informações sobre o que levou aquele futuro, mas o que Blasquesmith pode adiantar é que tudo ali girou em torno do fato de que Esperança não conseguiu completar sua missão e os responsáveis por isso foram os Vingadores. E isso foi o suficiente para que Cable encabeçasse sua nova missão. Voltar ao passado e deter os Mais Poderosos Heróis da Terra.

E assim começa a história, com roteiro de Jeph Loeb e desenhos de Ed McGuiness, temos praticamente em cada edição o nosso viajante do tempo determinado em derrotar cada membro em particular dos Vingadores. Na primeira parte, após armar uma emboscada, Cable derrota o Falcão e o Capitão America. Em seguida, é a vez do Homem de Ferro. Graças a um modelo de armadura do pro Tony Stark que ele trouxe do futuro, Cable conseguiu sobrepujá-lo. O próximo da lista foi o Hulk Vermelho, criação do Loeb e adversário da terceira edição. E com a ajuda de Blaquesmith, que resolveu também seguí-lo, Cable consegue deter o Vermelhão, contaminando-o com o Tecnovírus. E a última edição da minissérie o destaque fica pra Wolverine e Homem-Aranha.

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Neste ínterim, somos apresentados a vários flashback (ou seriam alguns flashfowards), com é pequenas histórias de Cable e Esperança quando ela era uma mera garotinha e de como o Nathan se preparou para lidar com os Vingadores, conseguindo boa parte da tecnologia necessária na arruinada Mansão dos Vingadores no futuro. Por sinal, ciente de que Cable estava fora de controle e com risco de vida já que o seu tecnovírus passou a avançar sobre ele indiscriminadamente, Blaquesmith vai buscar ajuda. E ele traz consigo Ciclope e Esperança na intenção de que o velho soldado pare aquele ataque insano.

Cable acaba ficando ainda mais descontrolado, visto que ali Esperança estava em risco. Ciclope e Esperança decidem soltar os demais Vingadores e tentar assim conter Nathan antes que ele se mate de vez. E no meio da briga, com o corpo já exaurido e tomado completamente pelo tecnovirus, ele tomba em coma.

Depois de muita pancadaria, os momentos finais da história nos levam a alguns momentos decisivos e interessantes. Orientada por Blaquesmith, Esperança consegue curar o vírus tecnorganico de Cable. E no processo, mais uma vez ela se revela de alguma maneira vinculada a Força Fênix. Ciclope, olhando tudo pelo vidro da enfermaria, fica atônito. E numa última página, temos um dialogo no plano astral entre Ciclope e Cable. Cable revela que a profecia em torno da Esperança fala que ela é a nova portadora da Fênix. Antecipa a Guerra com os Vingadores e compromete Ciclope para tomar as decisões certas, não importa quais sejam, de proteger sua filha.

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Loeb e McGuiness também são responsáveis por uma outra história, desta vez mais curta, em que é focada num novo membro da tropa Nova. No planeta Birj, dominado pelo ex-arauto de Galactus, Terrax, o rapaz tenta convencê-lo a salvar os habitantes daquele lugar antes que a Força Fenix chegue. Terrax não dá ouvidos, prefere confrontar a entidade cósmica sozinho e acaba inevitávelmente morto. Então, como esperado, o Birj é consumido pelas chamas da destruição. Todavia, após a dizimação, a vida parece florescer de novo. E o jovem Nova, segue mais uma vez em seu trajeto para avisar aos mundos sobre a vinda da Fênix. Essa história foi parte de uma das muitas que compuseram o especial POINT ONE, lançado em 2012 nos EUA.

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Por fim, a última parte desta “prólogo”, traz as duas histórias que compuseram a edição 0 original americana. Na primeira delas, temos a volta da Feiticeira Escarlate, responsável pela Dizimação mutante e Queda dos Vingadores. Após confronto com MODOC nas ruas de Nova York, Wanda é convidada por Carol Danvers, a Miss Marvel, e Jessica Drew, a Mulher Aranha, para voltar ao grupo dos Vingadores. Receosa, a moça decide ainda assim acompanhá-las, mas acaba tendo uma desagradável surpresa. Seu ex-marido, o Visão, também acabara de ser reconstruído por Tony Stark, e tomado por uma amargura ao vê-la, toma a frente de todos e a expulsa da mansão. De costas para os demais, apenas os leitores veem suas lágrimas, referência clara a antiga história de “Até um androide pode chorar”. Contada em 15 páginas, essa história é assinada por Brian Michael Bendis e Frank Cho.

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Na segunda história, o foco se volta pra Esperança, a Messias premeditada para reverter todo problema causado pelo Dia M. A menina vem agindo ultimamente de forma cada vez mais errática, saindo as escondidas a noite para combater sozinha o crime de São Francisco. Numa dessas, acaba sendo surpreendida por Ciclope, que tenta detê-la. Esperança tenta negociar que ficará se lhe for explicado o que é a “Fênix”. Sem estar preparado para essa, Ciclope fica calado e Esperança o alveja com raios opticos, fugindo para o continente afim de extravasar sua raiva. Seu alvo desta vez é a Sociedade da Serpente. E mesmo estando estando em cinco, número mais favorável, o grupo de vilões não foi páreo para uma garotinha com o treinamento militar dado por Cable. Ciclope e Emma Frost chegam tarde demais, quando o grupo estava sobrepujado e esperança com sangue nas mãos. Esperança, mais calma agora, fala que sabe porque Ciclope está com medo, receoso de falhar e perder Esperança para a Força Fênix assim como foi com Jean Grey no passado. Todavia, a garota parece determinada em dizer que está preparada. Emma e Ciclope apenas a observam, cientes de que se ela vier para salvar a todos ou matar a todos, é alguém que deve ter atenção especial. Desta vez, a história ficou por conta de Jason Aaron e, mais uma vez, Frank Cho.

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Com isso, temos o conjunto de histórias definitivo para preparar o leitor para a saga.  Jeph Loeb mostrou bastante sensibilidade em tratar a relação de Cable e Esperança em sua X-Saction, com momentos muito tocantes entre pai e filha, algo que certamente ele tem já pessoalmente uma carga emocional bem grande para despojar desde a perda de seu filho. O que incomoda talvez, seja aquela velha narrativa esticada e sem profundidade dos combates que me incomode. Levou quatro edições, e os momentos mais importantes aqui, se resumiram a poucas páginas, como foi o caso do dialogo final entre Scott e Nathan. Em contra partida, Loeb conseguiu se sair bem melhor na história do Nova, com poucas páginas e uma narrativa bem mais dinâmica. Isso parece ser um bom sinal para o futuro título do personagem que ele assumirá.

Já as duas histórias finais não tem muita pretensão, salvo reapresentar ao leitor as duas personagens mais importantes da vindoura Vingadores vs X-Men. Nas duas, Frank Cho matou a pau e não precisou apelar pra qualquer sensualidade desnecessária. Bendis aqui não conseguiu dar muito sentimento a história e coesão a história. Acaba deixando o leitor tão indignado quanto os demais heróis sobre a atitude do Visão. Daí, como você não acha a atitude lógica (que deveria ser própria pra um sintozóide), acaba não se comovendo com aquelas lágrimas no final. Já Jason Aaron foi um pouco mais feliz nas suas 15 páginas. Quem vê a Esperança aqui, começa a ver muito da determinação militar de Cable ali, apesar de um pouco mais imatura. A guria consegue peitar o líder dos X-men, como outrora seu pai já o fez tanta as vezes, e você consegue se incomodar tanto quanto ela com o silêncio de Ciclope, mexendo com seu destino, mas sem compartilhar quais são suas verdadeiras intenções. No final, um olhar de Esperança para os céus transmite exatamente o que esperamos dela, um verdadeiro sentido da sua existência. Ele é a Messias? Ela é a Esperança de todos os mutantes?

Coveiro