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sexta-feira, 28 de março de 2014

X-Men Legado: Figura Paterna


Na esteira do relançamento de vários títulos com novas equipes criativas na iniciativa conhecida como "Nova Marvel", temos a nova X-Men: Legado. A nova equipe criativa apresenta os roteiros de Simon Spurrier e os desenhos de Tan Eng Huat e Jorge Molina e o seu protagonista é o mutante conhecido como Legião ou David Haller, filho de Charles Xavier. Ao tomar ciência da morte do pai, ele decidiu fazer jus ao seu legado, a coexistência pacífica entre humanos e mutantes, da maneira que lhe é peculiar: ajudar a sua espécie ao mesmo tempo em que é obrigado a lidar com suas múltiplas personalidades, cada uma com um poder mutante diferente. Aqui temos a continuação do arco "Pródigo", publicado originalmente em X-Men Legacy #3 e #4 e aqui no Brasil em X-Men Extra #2, pela Panini.

Nesse autêntico cabo-de-guerra psíquico, David conseguiu dominar uma de suas personalidades, de poderes telepáticos. Induzido por um indivíduo de identidade e propósito desconhecidos chamado de "Zoiudo" por David, ele usa sua recém-controlada habilidade para chegar ao Japão e resgatar duas crianças em perigo. Ao chegar lá, ele é surpreendido por uma projeção astral de uma ave criada por elas e é aprisionado.


As crianças, um casal de gêmeos que se chamam Karasu e Sojobo, são títeres de um homem chamado Futatsu, um dos líderes do clã Yamaguchi-Kai. Eles reverenciam a memória de seu "Mestre Radiante", Shinobi Oyabun, também conhecido como Ogun, um antigo sensei de Logan e antigo líder da Yakuza. Um detalhe interessante nessas crianças é que elas apresentam em seus olhos o sinal de Ying e Yang ao invés de pupilas. Este sinal, inclusive, é o "olho" da ave da projeção astral que realizam em conjunto.

Eles estavam preparados para a vinda de David devido à uma ligação anônima e alarmista proveniente do mesmo indivíduo que induziu o mutante a fazer essa viagem. Não satisfeito com isso, ele fez outra para os X-Men, que já estavam ao encalço de David após receberem um alerta de Olhos Vendados, uma das alunas da Academia Jean Grey para Estudos Avançados.
David percebe que as crianças estão sendo obrigadas a usar os seus poderes conjuntos de projeção astral para atender aos interesses escusos do clã Yamaguchi e que está prestes a ser a próxima vítima. Ele tenta convencê-las do contrário, ao mesmo tempo em que tenta de maneira desesperada subjugar mais alguma de suas personalidades para acessar os poderes que elas possuem e se libertar. Na verdade, as crianças, por terem sido criadas por Shinobi, sentem-se na obrigação de retribuir a ajuda que receberam agindo daquela forma. "Só porque sua figura paterna fez uma ou duas coisas certas, não significa que vocês têm que acreditar que ele era infalível", argumenta David. De maneira curiosa, suas próprias palavras encontram eco no seu atormentado sub-consciente e ele consegue adquirir a auto-confiança necessária para se libertar.

Apesar do ocorrido, David não guardou rancor das crianças, pelo contrário, identificou-se com elas: "não somos tão diferentes assim, vivemos à sombra de um morto e o amor e o ressentimento nos ferraram de todas as formas". Ele pede às crianças que se juntem a ele para que possam aprender um com o outro e ajudar a espécie mutante. Elas aceitam mas o diálogo é interrompido pela chegada intempestiva de um esquadrão de X-Men liderado por Wolverine, que ordena a David que fique longe das crianças.


Sem se intimidar, David pede às crianças que o ajudem a acessar os poderes de suas múltiplas personalidades e assim o esquadrão é facilmente derrotado, com exceção de Olhos Vendados, que chega como elemento surpresa e consegue expulsar as crianças da mente de David mas é violentamente rechaçada por uma de suas personalidades e fica com um trauma psíquico muito grave. David e as crianças se escondem em um depósito de munições, que logo em seguida é atingido pelo X-Man Jono Starsmore, o Câmara, furioso por todos do esquadrão terem sido derrotados com tanta facilidade. A urgência da situação faz David perceber que finalmente encontrou pessoas que dependem dele e assim ele consegue ter auto-confiança para acessar uma de suas personalidades mais poderosas, o Origamista, capaz de alterar realidades e manipular o espaço, e assim a explosão causada por Jono e o próprio David simplesmente se dobram em si mesmos e desaparecem, deixando as crianças sem alternativa, aparentemente, a não ser acompanharem os X-Men em seu retorno para Westchester no seu jato, o Pássaro Negro.

Quando David retorna de uma dimensão adjacente, o avião da equipe mutante já decolou. Em seguida, ele encontra no chão um par de globos oculares igual ao dos gêmeos. No Pássaro Negro, os X-Men lambem as suas feridas e Karasu pergunta ao seu irmão, Sojobo, se eles fizeram a coisa certa. "Deixa de ser covarde", ele responde, sem os globos oculares que deixou para trás, "a gente está exatamente onde deve".


Temos aí mais duas boas histórias da nova X-Men Legado. O escritor Frank Spurrier ainda faz mistério com diversos pontos, como a verdadeira identidade e propósito do "Zoiudo", que induziu David a ir ao Japão para salvar duas crianças, ajudando-o assim a adquirir mais auto-confiança e denunciou sua localização para o X-Men. Achei interessante a identificação de David com as crianças que salvou, que também queriam ser dignas do legado do pai de criação delas, Ogun, ainda que sob coação. Também achei genial a iniciativa do escritor de aproximar David com Olhos Vendados que, a meu ver, apresenta um comportamento apenas um pouco mais funcional do que o rapaz. Espero que haja novas interações entre eles.

Os desenhistas Tan Eng Huat e Jorge Molina fazem o seu trabalho com correção, o segundo bem melhor do que o primeiro, mas achei que faltou a eles um pouco mais capricho em alguns detalhes, especialmente no que se refere ao visual dos olhos das crianças. Tive que folhear a revista várias vezes para ter certeza de que elas não eram cegas e que o olho delas tinha um aspecto diferente do normal. Gostaria mesmo era de ver o capista Michael Del Mundo como desenhista regular da série.

O aplicativo Marvel Ar não funcionou comigo nas páginas desta história, apenas na capa dessa edição de X-Men Extra, que traz Cable e X-Force, com um "preview" da história deles. É uma pena mas parece que a qualidade do papel é um fator determinante para que a "realidade aumentada" funcione de fato nas edições publicadas pela Panini, salvo puro acaso.

Carlos André
Colaborador do Marvel 616




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

X-Men Legado: Pródigo


Bem vindos à Nova Marvel, onde vários títulos foram lançados e relançados com novas equipes criativas e com a proposta de criar um ponto de partida para novos e antigos leitores, sem que a cronologia dos personagens seja desconsiderada.

No início da nova X-Men: Legado, o protagonista é o controverso Legião, ou David Haller, filho de Charles Xavier com a embaixadora da grã-bretanha Gabrielle Haller, que tiveram um breve romance em Israel. Sua primeira aparição foi durante a fase áurea dos Novos Mutantes escrita por Chris Claremont e desenhada por Bill Sienkiewicz na década de 80. Ele é portador de múltiplas personalidades e cada uma tem um poder mutante diferente e fora de controle. Nesta nova etapa de sua vida, que se inicia em X-Men Legacy #1 e #2, publicadas aqui em X-Men Extra #1 pela Panini, ele busca se tornar digno do legado do pai ao descobrir que este fora assassinado por Ciclope, imbuído da Força Fênix, durante a guerra dos Vingadores contra os X-Men. Isso não será nada fácil, como nos mostrará Simon Spurrier nos roteiros e Tan Eng Huat nos desenhos, pois além de controlar a si mesmo ele terá que convencer aqueles que tentarão detê-lo por não acreditarem em suas intenções.

Neste primeiro arco, chamado "Pródigo", encontramos David abrigado em uma espécie de retiro para "neuronautas", que procuram uma aposentadoria digna depois de tanto exorbitarem de suas capacidades mentais. Ele foi deixado lá por Xavier antes de sua morte e está sob os cuidados de um guru que administra o local, chamado Merzah, e que o ajuda a controlar o seu poder e empregá-lo em auxílio de outros.


Com a ajuda dele, David conseguiu criar uma "prisão mental" que mantinha as suas personalidades encarceradas e sob vigilância rigorosa mas, durante a tentativa de "fuga" de uma delas, ele toma ciência da morte de seu pai e seus poderem entram em surto e destroem totalmente o lugar que o abrigava. Quando ele recupera o controle, consegue ver o seu guru à beira da morte, que o encoraja a procurar os X-Men, mas ele rejeita a sugestão. A visão da morte do pai alterou o seu cérebro de alguma maneira e agora ele se vê forçado a lidar sozinho com isso ao mesmo tempo em que ocorre um motim entre suas múltiplas personalidades em sua prisão virtual, que se reflete em um novo descontrole no plano físico. Esses últimos eventos não passam despercebidos a Olhos Vendados, estudante da Academia Jean Grey para Estudos Avançados, que alerta os X-Men e logo eles saem ao encalço de David.

Enquanto isso, David é forçado a lidar ao mesmo tempo com uma de suas personalidades fugidias, de habilidades telepáticas, que tenta subjugá-lo ao mesmo tempo que uma estranha entidade se manifesta no plano físico e tenta manipulá-lo para os seus próprios fins. David consegue se sobrepor a ambos, ao mesmo tempo que tem uma visão sobre duas crianças, gêmeas, aprisionadas mentalmente no Japão. Ele decide partir ao encontro delas e, com um de seus poderes sob controle, resolve fazer o mesmo com os demais: "Um poder sob controle, só faltam algumas centenas mais um...", decerto se referindo também à entidade que derrotou no plano físico.


Achei esse recomeço de X-Men: Legado bastante promissor, com um tom bem mais sombrio e violento do que o do volume original. A premissa do escritor Simon Spurrier, com David tentando honrar o legado de seu pai, ao mesmo tempo em que tenta controlar a si mesmo, parece bem coerente com o título que a abriga e parece que virão histórias interessantes por aí. Achei os desenhos de Tan Eng Huat apenas corretos, não chegam a comprometer mas pessoalmente gostaria de ver um artista mais versátil desenhando os planos "físicos" e "mentais" do enredo. Gostei muito mais do desenhista das capas dessas duas primeiras edições, Michael Del Mundo, que demonstram muito bem a instabilidade emocional de Legião.

Nesta edição da Panini, como no original norte-americano, aparecem em várias páginas o ícone "AR", de "realidade aumentada", que produziria um efeito de animação se visualizadas pelo aplicativo "Marvel Ar", feito para dispositivos da Apple. Tentei usar com o meu Iphone 5 e não aconteceu nada, mas não posso afirmar com certeza se a culpa é minha ou da Panini. Na "Apple Store" existem vários relatos de leitores brasileiros se queixando do mesmo. Se alguém conseguir fazê-lo funcionar, por favor, comente aqui.

Carlos André
Colaborador do Marvel 616